quarta-feira, 1 de junho de 2011

Feliz Natal


Feliz Natal
Resenha do filme Feliz Natal (JOYEUX NOËL), um drama de 2005 de Christian Carion.
Resenhista: Carlo Maia

O filme nos traz os acontecimentos de uma noite de Natal, durante a Primeira Grande Guerra, em que alguns militares alemães, franceses e escoceses encontram-se em trincheiras. No campo de batalha, uma situação extraordinária acontece no momento em que escoceses começam a cantar canções festivas. No instante em que Nikolas Sprink, um tenor germânico, canta Noite Feliz, uma das canções mais populares do Natal, sua melodia é harmonizada por um flautista do lado inimigo. Um momento emocionante e único atinge esses combatentes que estabelecem uma trégua não oficial, para comemorarem juntos o Natal, concordando em um cessar-fogo para aquela noite.
Uma missa é celebrada pelo padre escocês, e no outro dia, enterram seus mortos além de jogarem uma partida de futebol. Durante um bombardeio de artilharia, ambos os lados entrincheirados se refugiam juntos para evitar mais mortes. Depois disso, o sacerdote é enviado de volta e repreendido pelo bispo, mesmo alegando seu ato ser de humanidade na condução de um ritual religioso. Os alemães envolvidos são levados para outro front e Audebert, um tenente da infantaria francesa, é enviado para Verdun sendo advertido por sua ação que poderia ter representado traição num tempo de guerra.
O exército tem importância vital para a manutenção de governos e expressão dos nacionalismos. Esse exacerbado patriotismo foi visualizado num conflito ao qual 20 milhões de pessoas foram mortas ou gravemente feridas. O grande trauma da Primeira Guerra Mundial é ligado às batalhas. E nesse contexto, o autor nos apresenta uma história fantástica no horror da guerra em que o espírito natalino se tornou a temática dos acontecimentos. Dessa maneira, o filme enfatiza a demonstração de humanidade protagonizada pelos indivíduos, numa atitude de bondade e confiança no inimigo.
Assim, a obra nos familiariza com o cenário europeu da Grande Guerra. Uma catástrofe de 4 anos paralizados em trincheiras em que 2/3 da juventude européia perdeu suas vidas. O evento que prenuncia uma crise total e muda a face do século que ora se inicia. E nos evidencia o instinto humano em sair das trincheiras, cessando a hostilidade e se cumprimentarem, naquele ato singular e sem amparo do comando.

Bibliografia:
HOBSBAWN, Eric. Da paz à Guerra, in A Era dos Impérios. Rio de janeiro. Paz e Terra, 1988.
Feliz Natal de Chistian Carion.

Um comentário:

  1. Excelente post!
    Esse ato dos combatentes da 1ª Grande Guerra Mundial, nos da esperança por dias melhores.

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